Inimigos e doenças das abelhas

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Só temem as abelhas aqueles que não têm conhecimento de sua biologia e de sua atividade, bem como aquele que a importuna, a assalta, as agridem sem razão e, o que é pior, sem proteção. Sim, as abelhas, furiosas e em grupo, podem causar acidentes fatais com suas ferroadas. Mas elas também têm muitos inimigos e um dos principais é o próprio homem.

Principais inimigos das abelhas:
• Homem;
• Bichos;
• Aves;
• Insetos;
• Parasitos;
• Doenças.

O homem enquanto apicultor – o homem, por ignorância ou negligência, acaba cometendo erros que prejudicam as abelhas:

• Instalação de colmeias em locais pouco protegidos, ventosos, fria e demasiado úmida ou em locais onde frequentemente se faz tratamento fitossanitário;
• Falta de higiene durante a manipulação, transmitindo doenças entre as colmeias e até para outros apiários;
• Excesso de desdobramentos e manipulação exagerada reduz a viabilidade dos enxames, uma vez que diminuem as reservas necessárias aos períodos de escassez.

O homem enquanto indivíduo:

• Em indivíduos alérgicos, apenas uma picada de abelha pode matar. Para prevenir tragédias ou mesmo as ferroadas sem consequências mais graves que uma dor mais forte, os homens e até os bombeiros destroem várias colmeias todos os dias;
• Apesar de não se tratarem de vetores mecânicos ou transmissores diretos de doenças, as abelhas podem transformar-se em um incômodo em muitas residências, tanto na área urbana quanto na rural.

Bichos e aves

• Iraras, gambás, tatus, sapos, lagartos, cobras e ratos comem abelhas, derrubam e destroem colmeias e núcleos, atrás de mel;
• Aves insetívoras – comem grande número de abelhas, quando estas se encontram a voar, ou a visitar as flores. São andorinhas, pica-paus, bem-te-vis.
• Os patos e as galinhas d’angola também são grandes apreciadores de abelhas, dizimando muitas;

Para solucionar o problema dos bichos que perturbam suas colmeias:
• Procure instalar as colmeias a, pelo menos, 1/2 m do chão;
• Instale um redutor de alvado;
• Coloque um peso em cima das colmeias;
• Use espantalhos para aves e pássaros.

Insetos

Formigas: consomem grande volume de mel, causando enormes prejuízos porque enfraquecem as colônias e matam a criação. As colmeias atacadas pelas formigas ficam mais sujeitas à pilhagem. 

Solução:
• Utilização de suportes de 4 pés com óleo;
• Reduzir o alvado.

Vespas: grandes inimigas das abelhas. São maiores e entram na colmeia. As abelhas defendem-se principalmente aquecendo a colmeia até perto de 45ºC, matando a vespa de intermação. Porém, um ataque de muitas vespas pode ser terrível para as colmeias.

Solução:
• Destruir os vespeiros.

Aranhas: são inimigas das abelhas, uma vez que constroem teias nas imediações do apiário capturando-as frequentemente.

Solução:
• Destruir as teias das aranhas que estiverem em frente à rota das abelhas e manter terreno limpo nessa área, mas manter as teias laterais para impedir outros insetos de chegarem.

Borboleta Esfinge Caveira: grande inimiga das abelhas e apreciadora de mel. Não é atacada pelas abelhas por possuir uma espessa felpa que lhe cobre o corpo, cuja altura é superior ao aguilhão das abelhas.

Traça ou tinta: pequena borboleta noturna semelhante à traça da roupa. Alimenta-se de mel e permanece no estado larvar de 30 a 100 dias, sendo esta a fase mais prejudicial.

Solução:
• Não guardar favos pretos ou velhos.

Forídeo ( Pseudohypocera sp.) mosca muito pequena que põe seus ovos na colmeia; a postura é muito rápida e chega a botar cerca de 300.000 ovos; as larvas dessa mosca se desenvolvem mais rapidamente que as das abelhas, comendo todo o alimento delas, levando-as à morte. Ela invade principalmente, colmeias fracas ou espoliadas por ataques de outros inimigos.

Solução:
• Esta praga é terrível, não existe controle eficaz. As medidas são quase sempre preventivas.
• Quando fizer captura, transferência ou divisão, executar a manobra o mais rápido possível e manter vigilância constante até as colmeias se fortalecerem. Preventivamente, colocar frascos com tampa furadinha, e em seu interior vinagre de maçã, na entrada da colmeia. Isso atrairá os forídeos que entrarão na armadilha e morrerão afogados.
• Caso encontre uma família atacada de forma muito destruidora, o melhor é queimá-la ou isolá-la completamente com um saco plástico.

A recuperação das colônias atacadas pode ou não se viabilizar, mas é preciso muito cuidado para não haver contaminação total do apiário. Colmeias fortes e bem alimentadas resistem mais ao ataque de inimigos e pragas.

Retirar e limpar com pano limpo todas as larvas de forídeos e em seguida alimentar frequentemente as abelhas; fazer diariamente um acompanhamento para verificar a evolução da família atacada.

Doenças

No Brasil, de modo geral, a ocorrência de doenças e certas pragas é pequena, principalmente devido à maior resistência das abelhas africanizadas.

Parasitos

Ácaro das abelhas (Varroa jacobsoni)-parasitose que afeta a abelha tanto no estado adulto como durante o desenvolvimento larvar. A Varroa fixa-se no exterior da abelha, preferencialmente nos pontos onde a carapaça é mais fina (entre os elos abdominais), fazendo perfurações para sugar a hemolinfa. Para se multiplicar, introduz-se nos alvéolos com larvas e reproduz-se enquanto eles estão operculados e assim as jovens abelhas já nascem debilitadas.

Solução:
• No período inicial de infestação, a varroose não provoca sintomas graves. No entanto, a morte do enxame pode acontecer de repente, quando a infestação for grande. Regiões mais quentes predispõem as abelhas à varroose intensa, por não haver parado na postura do parasita, embora no Brasil, as abelhas africanizadas sejam bastante resistentes à varroose.
• Aplica-se acaricida apenas se a colmeia estiver sofrendo muito.

• Acariose (Acarapis wood) – multiplica-se na traqueia principal das abelhas e se alimenta de hemolinfa através de orifícios que são abertos na parede da traqueia. As abelhas ficam debilitadas e impossibilitadas de voar, apresentam ampola retal entumecida, pela falta de voos de higiene. Provoca a morte das abelhas com mais de quinze dias e pode exterminar a colônia em menos de dois meses.

Solução:
• O tratamento mais comum é feito com Solução de Hichard Frow, feita de nitrobenzeno, gasolina e óleo de safrol.

Infecções fúngicas

Nosemose – doença causada por um micrósporo denominado Nosema apis que entra por via oral na abelha, chega ao estômago e intestinos, esporula, causando alta mortandade. No Brasil, as abelhas africanizadas são resistentes.

Cria giz – Ascosphaera apis e Aspergillus – fungos que são ingeridos pelas larvas, desenvolvendo-se no seu interior, tomando rapidamente conta do seu organismo. As larvas morrem e apresentam um aspecto bolorento ou granuloso, conforme. Não é comum no Brasil.

Solução:
• Preventivamente devem-se isolar as colmeias sadias, evitar as águas paradas nas imediações do apiário, bem como os saques. Fazer limpeza e desinfecção rigorosa das colmeias que alojaram abelhas doentes.

Viroses

Cria ensacada – a cria ensacada brasileira é proveniente de contaminação de pólen de Stryphnodendron polyphyllum (barbatimão).

Sintomas:
• Favos com falhas e opérculos geralmente perfurados;
• Coloração da cria: cinza, marrom ou cinza-escuro;
• A morte ocorre na fase de pré-pupa;
• Não apresenta cheiro pútrido;
• Ocorre formação de líquido entre a epiderme da larva e da pupa em formação.

Solução:
• Evitar a instalação de apiários em locais com incidência da planta barbatimão;
• Utilizar alimentação artificial das colmeias na época de floração do barbatimão.

Doenças bacterianas

Cria pútrida americana – Paenibacillus larvae, conhecida pela sigla AFB (American Foulbrood). A doença é produzida pela ingestão de esporos do agente por larvas de menos de 3 dias de vida. A postura fica irregular, as crias em estado de pupa ficam com as tampas afundadas e perfuradas, atingindo cerca de 75% dos filhotes, que com o tempo entram em putrefação.

Solução:
• Marcar as colônias com sintomas de CPA;
• Limpar equipamentos de manejo (luvas, formão, fumigador,) e não utilizá-los nas colônias sadias;
• Após comprovação da doença, destruir as colônias afetadas;
• Esterilização das caixas pode ser feita de duas maneiras: mergulhando as peças em parafina a 160ºC durante 10 minutos ou em solução de hipoclorito de Sódio a 0,5% , durante 20 minutos.

Cria pútrida europeia – atribuída ao Bacillus Alvei, associado ao Bacillus Pluton, Streptococus, Apis Bacillus Orpheus, Bacillus Eurydice e Bacillus Laterosporous conhecida pela sigla EFB. Caracteriza-se pela presença de larvas mortas, com coloração escura em alvéolos não operculados, cheiro pútrido de larvas e favos de crias apresentando muitas falhas.

Solução:
• Remoção dos quadros com cria doente;
• Trocar rainha suscetível por outra mais tolerante;
• Evitar uso de equipamentos contaminados quando manejar colmeias sadias.

 Fonte:https://www.portaleducacao.com.br

 

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